24.11.09

Ampulheta


Me colocaram de ponta cabeça
Escorrego
Grãos de beleza
Grãos de animo
Grãos de paciência
A cada segundo caído, a agonia do que não volta mais
Perda de tempo
Escorrego
A velhice me veio antes do tempo
As dores nas juntas
A memória que escapa
As histórias repetidas
Grãos que não recupero mais, partiram, caíram
Escorrego
Escolho as promessas que vou cumprir,
as músicas que não vou parar para ouvir,
os livros que irei reler,
as lembranças que tentarei guardar.
Escorrego
Aqui, agora, já foi.
.
.
.


27.10.09

"Lá vai o trem com o menino"
Na mala, roupas limpas e poemas sujos.
No trilho, saudades.

14.9.09

Haicai...ídos

Marinheiro

Páro. Olho o mar.
Quando seu barco virá?
Horizonte nú.


Cósmica (a Ítalo Calvino)

Subo na árvore.
Perto das estrelas,
me infinito.


Despedida

Dou um sinal. Adeus.
A Deus dou um sinal. Ele?
Me esqueceu aqui.


Vocês

Minha multidão.
Desejos polígamos.
Num corpo, rostos.


Eu poeta

Poetas me irritam.
São extremos, vaidosos.
Nos amam só nos versos.


Ciranda

Ô cirandeiro!
Dando voltas no lugar,
onde vai chegar?

22.8.09

Micro contos

O bom homem


Era um homem muito honesto. Pagava suas contas em dia. Nunca se atrasava. Saia às seis, voltava às dezoito. Não passava onze volumes na fila dos até dez. Não comia fora de hora para não enganar o estômago.





Penso coisas desmedidas.
Falo palavras descabidas.
Calo frases arrependidas.