Antigamente precisávamos somente ser belas!
E era muito mais fácil...
Pintar o cabelo, fazer regime, caminhar no calçadão. Isso para as mais sensatas.
Ainda tem as insanas da lipoaspiração, botox e academia.
Andar na moda, fazer unha, depilação e pinçar a sobrancelha... Era tão mais fácil!
Hoje temos que ser inteligentes, trabalhadoras e ainda por cima talentosas.
Não basta curso superior em federal, precisamos ter mestrado, doutorado e livro publicado.
Ser criativa, dinâmica, escrever projetos e concorrer em festivais.
E não podemos ser só classificadas, temos que ser as primeiras! Levar troféu pra casa.
Daí sim ficamos mais bonitas, interessantes e até GOSTOSAS!
Nasci na época erreda. Ser talentosa dá muito trabalho!
3.7.09
fragmento
Ele: ...
Ela: - Você não acha que é muito cedo para começar a namorar.
- Já está tudo preparado para cerimônia. Estou tão ansiosa, chega me dá um enjôo.
- Acho que estou grávida.
- Fui chamada outra vez na escola, o Juninho chutou a canela de algum moleque na fila da merenda, (PAUSA) de novo.
- O Junior não educa as gêmeas direito, ele quando era dessa idade só andava na linha, um anjo, mas essas meninas.
- O médico disse que não é nada de mais, não se preocupe. Eu estou ótima! Como nunca estive em toda minha vida.
- Vai ficar tudo bem. (levanta e sai)
26.6.09
14.3.09
preparo o corpo, engano a alma

Me dispo de pelos. Axila, umbigo, virilha.
Esfrego o corpo, esfolo a sola do pé.
Limpo as unhas. Confiro o cheiro do meu sexo com os dedos, e o gosto.
Penteio os cabelos e bagunço pra parecer natural.
Ensaio coisas que não vou dizer.“Passei o tempo me masturbando”.“O sutiã novo aperta”.“Calcinha no cú incomoda”.
Visito todos(as) que passaram entre minhas pernas – gozo na geladeira vazia.
Muitas coisas para fazer, passo um café e adio até amanhã.
Danço o voz negra da branca viciada. Me sinto bem. Péssimo sinal.
Raros os momentos que escrevo quando me sinto bem. Neste momento escrevo.
Passeio dia pensando em sexo. Agora só queria ir encher a geladeira, o supermercado fica aberto até meia-noite.
Tomei banho com o sabonete dele, seu cheiro em minha pele, enganei minha alma.
Durmo em paz.
19.2.09
Coisas terríveis de se ouvir
Coisas terríveis de se ouvir
1.11.08
Uma ficção
O que começou ao som de “Garotos” só poderia ter esse destino melodramático.
“Vou para casa da minha mãe”. Não, não foi uma mulher traída que disse isto.
Os mistérios não são Dela, são Dele. E nem são mistérios irresistíveis, são pequenas mentiras. Irresistíveis.
Tudo começou com um elogio ao cabelo Dela, como estava bonito, tinha cortado, pintado?
Ele não resistia a uma mulher pseudointeligente.
Na verdade as frases eram atiradas em direção inserta, qualquer alvo que acertasse seria uma pseudointelectual. Estava no bar certo, freqüentado por universitário, jornalistas, artistas, blogueiros e público GLS.
- Seu cabelo está lindo, cortou?
- Seu cabelo está lindo, não sei... é a cor?
- Seu cabelo está lindo, meu anjo.
A vítima era certa, nenhuma mulher resiste quando elogiam seu cabelo ao pé-de-ouvido.
As peças eram retiradas lentamente ao som de jazz. E Ela jaz em sua cama, sua rede, sua sede.
Na geladeira bebida suficiente para a noite, na dispensa para a dispensa no café da manhã.
Uma mensagem no dia seguinte, uma música do Sergio Sampaio. E Ela, só pensava em se aprofundar nas obras de Klint.
Dois empregos, casa própria, carro, motocicleta. E por extinto feminino só pensaria na procriação, em como chamariam seus filhos.
E Ela, mesmo sem saber de suas rendas, sonhava com um menino que levasse o apelido de seu pai. Aliás, toda vez que se apaixonava pensava no pai, será que eles iriam rir jogando sinuca num boteco de esquina, que discutiriam política no café, trocariam por uns tempos seus vinis?
E ao som de Leoni, no dia seguinte Ele a deixava na porta do emprego em Cariacica, em Serra, ou na casa de seus pais em Jardim da Penha, ou Barro Vermelho.
E ao som de Leoni, buscava no aeroporto, na rodoviária.
Levaria da rede pra cama, prepararia o café. Seria o melhor confidente, o melhor amigo, insistiria pra pagar a conta, apresentaria lugares novos, autores novos, novas posições a cada noite.
E qualquer mulher, qualquer uma, esqueceria que era Leoni que cantava.
E depois das roupas misturadas no armário, do transcol para o trabalho e das contas divididas, Ele seguro, sempre usando a mesma posição e nunca mais preparando o café, ameaçava Ela dizendo: “Vou para casa da minha mãe”.
“Vou para casa da minha mãe”. Não, não foi uma mulher traída que disse isto.
Os mistérios não são Dela, são Dele. E nem são mistérios irresistíveis, são pequenas mentiras. Irresistíveis.
Tudo começou com um elogio ao cabelo Dela, como estava bonito, tinha cortado, pintado?
Ele não resistia a uma mulher pseudointeligente.
Na verdade as frases eram atiradas em direção inserta, qualquer alvo que acertasse seria uma pseudointelectual. Estava no bar certo, freqüentado por universitário, jornalistas, artistas, blogueiros e público GLS.
- Seu cabelo está lindo, cortou?
- Seu cabelo está lindo, não sei... é a cor?
- Seu cabelo está lindo, meu anjo.
A vítima era certa, nenhuma mulher resiste quando elogiam seu cabelo ao pé-de-ouvido.
As peças eram retiradas lentamente ao som de jazz. E Ela jaz em sua cama, sua rede, sua sede.
Na geladeira bebida suficiente para a noite, na dispensa para a dispensa no café da manhã.
Uma mensagem no dia seguinte, uma música do Sergio Sampaio. E Ela, só pensava em se aprofundar nas obras de Klint.
Dois empregos, casa própria, carro, motocicleta. E por extinto feminino só pensaria na procriação, em como chamariam seus filhos.
E Ela, mesmo sem saber de suas rendas, sonhava com um menino que levasse o apelido de seu pai. Aliás, toda vez que se apaixonava pensava no pai, será que eles iriam rir jogando sinuca num boteco de esquina, que discutiriam política no café, trocariam por uns tempos seus vinis?
E ao som de Leoni, no dia seguinte Ele a deixava na porta do emprego em Cariacica, em Serra, ou na casa de seus pais em Jardim da Penha, ou Barro Vermelho.
E ao som de Leoni, buscava no aeroporto, na rodoviária.
Levaria da rede pra cama, prepararia o café. Seria o melhor confidente, o melhor amigo, insistiria pra pagar a conta, apresentaria lugares novos, autores novos, novas posições a cada noite.
E qualquer mulher, qualquer uma, esqueceria que era Leoni que cantava.
E depois das roupas misturadas no armário, do transcol para o trabalho e das contas divididas, Ele seguro, sempre usando a mesma posição e nunca mais preparando o café, ameaçava Ela dizendo: “Vou para casa da minha mãe”.
E Ela sabia que tudo teria que ser do jeito Dele, sempre foi, e arrependida de ter falado o que pensava, o que sentia, gritava “se você for embora eu vou ficar desesperada” e Ele “pára, você está se humilhando”, ficava.
Tudo culpa do Leoni.
Tudo culpa do Leoni.
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